Bolsonaro quer provar que não é a Rainha da Inglaterra

Já virou rotina o presidente Jair Bolsonaro fazer um pronunciamento em rede nacional, defendendo o uso da hidroxicloroquina no tratamento do Coronavírus e o fim do isolamento social. Como se não bastasse a pressão dos militares, do Poder Legislativo e Judiciário para a manutenção de Mandetta no cargo, Bolsonaro quer provar que não é a "Rainha da Inglaterra", mas como? Simples, o ministro da Saúde, que ontem quase foi demitido, teve que mudar o discurso para agradar o chefe do Planalto. Logo, Mandetta deixa de ser o centroavante deste time e Bolsonaro passa a ser o tal. Para Bolsonaro, está tudo bem, para o Brasil, não está. O que mais importa no momento: ouvir o que os cientistas têm a dizer ou o que os empresários querem? Bolsonaro desdenha da Ciência, há quem negue, mas é impossível, como dizia o ex-presidente Lula, "nunca antes na história deste país" houve uma oferta tão insignificante de bolsas de Mestrado e Doutorado como agora. O CNPq, como está? E o Capes? Pesquisadores estão com um "nó" no pescoço, pois, sem recursos financeiros, não há como concluir dissertações e teses. Uma vacina contra o Sars-Cov-2, produzida em território tupiniquim, só ficará pronta em 3 anos, lá fora, em países como China, Estados Unidos e Israel, virou questão de meses. Um medicamento? Da mesma forma. Até lá, o que fazer? Tomar a cloroquina? O infectologista David Uip, o qual contraiu Covid-19, mas já está curado, se recusa a falar que fez uso deste fármaco. E a ivermectina? Entrou em discussão agora. A melhor maneira de prevenção continua sendo o distanciamento e o isolamento social. A Índia confinou toda a população e reservou um fundo de 3 trilhões de dólares para este período de quarentena. A propósito, porque no Brasil não poderia ser assim? Seria Bolsonaro aliado dos banqueiros? Neoliberalismo não funciona agora, Estado Mínimo nem pensar. Por que não tomar o controle dos hospitais privados, como fez um país atingido pelo novo Coronavírus, se por acaso houve colapso no SUS? Ignorem o presidente e fiquem em casa.

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